Clara Crocodilo (1980) - álbum de Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno

 Mariana Alves da Silva

Letras (Habilitação Português/Linguística), 5º ano


Lançado em 1980, Clara Crocodilo é o primeiro álbum de Arrigo Barnabé e da Banda Sabor de Veneno. Apesar de não ter se massificado como um sucesso de grandes cifras, o álbum conquistou admiradores cativos e elogios por seu caráter experimental e pelo uso combinado de referências eruditas e populares. Além disso, alcançou um sucesso surpreendente para uma produção independente. Passados mais de quarenta anos de seu lançamento, o disco ainda desperta questões principalmente quanto ao seu caráter ambíguo, evidenciado desde o título, "Clara Crocodilo", e que se desdobra em outros debates, como a cisão entre música erudita e popular e a dificuldade de definir a personagem-título e seu lugar de "marginalidade".


Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno



Arrigo Barnabé nasceu no ano de 1951 em Londrina, onde estudou piano em um conservatório de música na infância/adolescência. Mudou-se para São Paulo e cursou Arquitetura e Urbanismo na FAU/USP e depois Composição e Arranjo na ECA/USP, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Declara ser ouvinte de Tom Jobim, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Orlando Silva, Cartola, Dave Brubeck, Schönberg, Béla Bartók, Stravinsky, Stockhausen, dentre inúmeros outros artistas considerados tanto eruditos quanto populares, nacionais ou estrangeiros. Ainda, manteve (e mantém) parcerias artísticas com Luiz Gê, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Rogério Sganzerla.

Já a Banda Sabor de Veneno era composta por Regina Porto (piano), Bozo (sintetizador e piano), Paulo Barnabé (bateria e percussão), Gi Gibson (guitarra e violão), Rogério (percussão), Otávio Fialho (baixo), Ronei Stella (trombone), Chico Guedes (saxofone e clarineta), Baldo Versolatto (saxofone e clarineta), Mané Silveira (sax e flauta), Félix Wagner (Clarineta), Suzana Salles (vocal e voz), Vânia Bastos (vocal e voz). O disco ainda contou com a participação especial de Itamar Assumpção e Tetê Espíndola e a produção independente de Robinson Borba.

Capa do álbum, desenhada pelo quadrinista Luiz Gê.

Parte interna do encarte do álbum e detalhe do disco original.


Faixa a faixa


1. Acapulco Drive-in

Primeira faixa do álbum, em que já se vislumbram características que perdurarão ao longo das outras músicas, como a cisão e a intercalação/diálogo entre a voz masculina, geralmente em solo, e as vozes femininas, geralmente em coro e em um registro bem agudo, altura incomum na Música Popular Brasileira. Pelo próprio título, observa-se um cenário noturno, dentro de uma metrópole, no qual surgem personagens do mundo underground/marginal, como a prostituta e seu cliente.


2. Orgasmo Total

Nesta faixa, temos uma continuação do encontro entre os personagens da faixa anterior, mas dentro da narração do encontro sexual podemos identificar uma separação entre o narrador e os personagens, que buscam o "orgasmo total". Ao final da música, no entanto, acontece uma reviravolta: revela-se que toda a narração era um anúncio publicitário para vender o produto "orgasmo total". Apesar de ser uma característica de todo o álbum, é nesta faixa que o elemento satírico se torna mais evidente.


3. Diversões eletrônicas

Uma das músicas mais conhecidas do álbum, já que foi vencedora do I Festival Universitário da MPB, em 1979, esta faixa foi inspirada pela música Arranha Céu, de Orestes Barbosa e Silvio Caldas, de 1937. Apesar da distância temporal, ambas tratam dos desencontros e da solidão em meio à multidão de luzes da cidade. Em Diversões eletrônicas, mantém-se o cenário noturno que permeia todo o álbum, mas dessa vez somos transportados a um fliperama e a um "balcão de bar de fórmica vermelha", que ecoa incessantemente e "cola no ouvido", apesar de todas as camadas sobrepostas que formam um certo caos sonoro. Nesta faixa, ecoa também a voz "tenso-estrangulada" (MACHADO, 2007: 86) de Arrigo Barnabé, que remete a apresentadores de programas sensacionalistas no rádio e na televisão, e também a personagens noturnos encontrados em locais que oferecem entretenimento fácil. Há forte influência da dramatização e da montagem cinematográfica na sobreposição de camadas que compõem a música.



No vídeo que traz a apresentação da música no I Festival Universitário da MPB, vemos um palco cheio de jovens, recebidos de maneira bastante dividida pela plateia, composta por outros jovens: alguns aplaudem e celebram, outros vaiam intensamente. Podemos, ainda, ver como há uma espécie de encenação no palco, revelando o flerte da música (e do álbum como um todo) com a dramatização.


4. Instante

Esta é uma música que o próprio artista diz destoar do álbum, mas que, segundo Pires (2019: 151), cumpre a função de criar um interlúdio entre dois grandes blocos de canções. Possui um tom melancólico, muito mais calmo e etéreo que o das músicas anteriores. A voz solo é feminina e a letra evoca, com lirismo, a transitoriedade.


5. Sabor de Veneno

Encontramos nesta faixa uma remissão direta à canção Garota de Ipanema, de Tom Jobim, evidenciando um diálogo direto com a tradição da MPB. São marcantes, ainda, a dissonância, o agudo das vozes e a intercalação da voz masculina com o coro feminino.


6. Infortúnio

Também apresentada no I Festival Universitário da MPB, é uma faixa que chama a atenção por dois motivos principais, o uso do canto lírico na voz feminina e a menção velada à morte do jornalista Vladimir Herzog, principalmente no verso "ele morreu porque pensou, pensou demais" (PIRES, 2019: 155).


7. Office-boy

Esta faixa inicia uma história que continua na faixa seguinte, a última do álbum. De imediato, fica evidente a referência ao mundo dos quadrinhos, ao sermos apresentados ao personagem Durango, um office-boy. Com fortes contornos épicos, a música mantém as características de dissonância e de sobreposição de módulos para narrar como o trabalhador precarizado Durango torna-se vítima da indústria farmacêutica e acaba por transformar-se no "monstro" Clara Crocodilo.


8. Clara Crocodilo

A última faixa do álbum é também a faixa-título, em que a força do álbum chega a seu ápice. Antecedida por um fragmento de uma composição de Stockhausen, a letra mergulha ainda mais fundo nos quadrinhos, na ficção científica e no suspense para descrever a libertação do monstro aprisionado no disco, que agora toma seu lugar na mente daqueles que ouvem a música. Em uma métrica incomum, 7/4, a música mantém dissonâncias, sobreposições e repetições de linhas melódicas peculiares, ao mesmo tempo em que consegue deixar no ouvinte, impregnada, a figura de Clara Crocodilo, que reaparecerá na vontade incontrolável de cantarolar a canção mesmo depois que ela acabar.

Além dos elementos de estilização musical, a letra da música combina interessantes recursos literários. Em primeiro lugar, a ideia do nome "Clara Crocodilo" foi inspirada no poema "L'aura amara", de Arnaut Daniel, que deu a Arrigo a ideia de criar um nome com poucas letras e marcada pela aliteração, mas que representasse a união entre oposições. Ademais, aparecem também o diálogo direto com o ouvinte, ou seja, a instauração de um ponto de vista em 2ª pessoa, e a transposição de elementos da canção para o plano dessa 2ª pessoa, que é a projeção de Clara Crocodilo para a mente de quem ouve a música. Finalmente, o último verso da letra ("Até seu coração… ouvinte meu, meu irmão") é uma referência direta ao poema "Ao leitor", de Charles Baudelaire, em cujo último verso o eu-lírico também se dirige ao leitor como irmão: "- Hypocrite lecteur, - mon semblable, - mon frère!" (1).


Clara Crocodilo - ambiguidades


Música erudita ou Música popular?

Não seria produtivo tentar categorizar as músicas de Clara Crocodilo, logo, destacaremos quais características gerais do álbum podem ser associadas ou à música erudita, ou à música popular. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o compositor principal, Arrigo Barnabé, e vários de seus parceiros, como Regina Porto, possuem uma educação formal, ou seja, uma formação acadêmica em música, algo que já os aproxima imediatamente da música erudita. Além disso, é bastante notória no álbum a influência da música erudita de vanguarda, principalmente aquela que rompe com os paradigmas da tonalidade, ou seja, aquele que preconiza a existência de um centro tonal que organiza a harmonia da composição (WISNIK, 2017: 116).

Dentro do grande campo da atonalidade, que ganha maior força na música erudita a partir do século XX, podemos destacar a figura de Schönberg, cujo projeto composicional também é chamado de serial ou dodecafônico. Em linhas gerais, sua proposta parte da construção de séries em que nenhuma nota da escala cromática é repetida sem que todas as outras tenham sido tocadas. Sobre essas séries, são aplicados processos de recombinação, como a reversão e a retrogradação (WISNIK, 2017: 180). Vários dos processos seriais de Schönberg são aplicados na composição das músicas de Clara Crocodilo (CAVAZOTTI, 2000). Além disso, são utilizados outros recursos de experimentação musical, como o modalismo, ou seja, o uso de escalas distintas daquela em que se baseia a música tonal (2); a exploração de dissonâncias; e a exploração de métricas pouco usuais, como o compasso 7/4 da música faixa-título.

Porém, toda essa experimentação da linguagem musical incorpora também elementos da chamada música popular, ou melhor, da cultura popular em geral. Em primeiro lugar, é interessante notar como Arrigo Barnabé consegue criar sons que "colam no ouvido" e que não saem da cabeça dos ouvintes, mesmo partindo de linhas melódicas às quais muitos ouvintes não estão acostumados. Além disso, suas músicas remetem ao universo dos quadrinhos, da ficção científica, do cinema marginal e, principalmente, ao universo underground/marginal da metrópole paulistana, em que se encontram tipos noturnos sobre os quais recai uma forte reprovação social, como o bêbado e a prostituta.


Clara Crocodilo - que marginal é essa?

Quem é, afinal, Clara Crocodilo? Que personagem é essa que ocupa um lugar dúbio em tantos aspectos - em termos de gênero, de moralidade, de definição como vítima/vilã(o)? Essas são perguntas cuja potência se verifica justamente ao se mostrarem tão resistentes a uma única resposta. É o caráter ambíguo da personagem e do álbum que parece torná-lo tão intrigante, interessante e "clássico", no sentido de ser uma escuta valorizada mesmo 40 anos depois de seu lançamento.

Clara Crocodilo se identifica como marginal porque se coloca nos entrelugares, nas zonas cinzentas, nas fronteiras. Mas, como interpreta Walter Garcia Silveira Junior (2015), parece colocar-se como marginal ainda dentro das bordas do sistema, sem romper diretamente com ele. E, nesse sentido, é também uma marginalidade ambígua que, em larga medida, constrói-se com um sentido bastante coerente com o som que está ali gravado no álbum.

Podemos afirmar, em linhas gerais, que Clara Crocodilo mergulha no submundo da metrópole, embebeda-se de seus personagens, de suas cenas e, principalmente, de seu caos sonoro para apresentar aos ouvintes um universo complexo sob uma perspectiva satírica. No mundo do entretenimento fácil, as músicas de Clara Crocodilo provocam uma escuta atenta, pedem que nossos ouvidos parem e ouçam, mesmo em meio a tanto ruído. Ao mesmo tempo, sua crítica nos leva a momentos de escape, a cenários fantasiosos do mundo dos quadrinhos, da ficção científica, da profecia futurista do apocalipse que, paradoxalmente, quanto mais se aproxima, mais parece apontar para o passado - um passado que precisamos conhecer, reconhecer e analisar.


Notas

(1) Na tradução de Ivan Junqueira: "— Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!".

(2) A escala usada na música tonal  pode ser didaticamente descrita como a escala encontrada se tocarmos em sequência as notas brancas do piano, indo de dó a dó.


Sugestões de leitura 

- Sobre música modal, tonal e atonal:

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: Uma outra história das músicas. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

- Sobre a experimentação musical em Clara Crocodilo:

CAVAZOTTI, André. Processos seriais na música de Arrigo Barnabé : as oito canções do LP "Clara Crocodilo". Dissertação (Mestrado em Música) - Instituto de Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1993. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/143511>. Acesso em: 29 out. 2021.

CAVAZOTTI, André. O serialismo e o atonalismo livre aportam na MPB: as canções do LP Clara Crocodilo de Arrigo Barnabé. Per Musi, v.1, p. 5-15, 2000. Disponível em: <http://musica.ufmg.br/permusi/permusi/port/numeros/01/resumo1.html>. Acesso em: 29 out. 2021.

- Sobre a "marginalidade" de Clara Crocodilo:

SILVEIRA JUNIOR, Walter Garcia da. “Clara Crocodilo” e “Nego Dito”: dois perigosos marginais?. Antíteses, [S.l.], v. 8, n. 15, p. 10-36, jul. 2015. ISSN 1984-3356. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2015v8n15p10>. Acesso em: 29 out. 2021.

PIRES, Pedro Giovanetti Cesar. Representações da modernidade brasileira na canção: o caso de Clara Crocodilo. 2019. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: <https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-06122019-170717/pt-br.php>. Acesso em: 29 out. 2021.


Referências bibliográficas


ASSUNÇÃO, Ademir. Arrigo Barnabé comemora 20 anos do lançamento de "Clara Crocodilo", que está saindo pela primeira vez em CD - O retorno do monstro mutante. Folha de São Paulo, Caderno Mais! – Mais música e Mais repercussão, 15 de outubro de 2000. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1510200018.htm> e <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1510200019.htm> Acesso em: 29 out. 2021.


BANDA Sabor de Veneno. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2021. Disponível em: <https://dicionariompb.com.br/grupo/banda-sabor-de-veneno/>. Acesso em: 15 dez 2021.


BARNABÉ, Arrigo e BANDA SABOR DE VENENO. Clara Crocodilo. São Paulo: gravadora independente, 1980. 1 disco sonoro. Disponível em: <https://immub.org/album/clara-crocodilo-arrigo-barnabe-e-banda-sabor-de-veneno>. Acesso em: 29 out. 2021.


BARNABÉ, Arrigo. Arrigo Barnabé - Music Thunder Vision. Entrevistador: Luiz Thunderbird. São Paulo: 2019. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=GqFUo44kAtA>. Acesso em: 29 out. 2021.


BARNABÉ, Arrigo. Claras e Crocodilos no Cultura Livre. Entrevistadora: Roberta Martinelli. São Paulo, TV Cultura, 20 jul. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mJlMzEZAC2U>. Acesso em: 29 out. 2021.


BARNABÉ, Arrigo. Provocações 60 com Arrigo Barnabé – bloco 01. Entrevistador: Antônio Abujamra. São Paulo, TV Cultura, 24 mai. 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=UhRUaaBeQ>. Acesso em: 29 out. 2021.


BARNABÉ, Arrigo. Provocações 60 com Arrigo Barnabé – bloco 02. Entrevistador: Antônio Abujamra. São Paulo, TV Cultura, 24 mai. 2012 <https://www.youtube.com/watch?v=B65FKiskmdk>. Acesso em: 29 out. 2021.


CAVAZOTTI, André. Processos seriais na música de Arrigo Barnabé : as oito canções do LP "Clara Crocodilo". Dissertação (Mestrado em Música) - Instituto de Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1993. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/143511>. Acesso em: 29 out. 2021.


CAVAZOTTI, André. O serialismo e o atonalismo livre aportam na MPB: as canções do LP Clara Crocodilo de Arrigo Barnabé. Per Musi, v.1, p. 5-15, 2000. Disponível em: <http://musica.ufmg.br/permusi/permusi/port/numeros/01/resumo1.html>. Acesso em: 29 out. 2021.


MACHADO, Regina. A voz na canção popular brasileira: um estudo sobre a Vanguarda Paulista. Dissertação (Mestrado em Artes) - Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=190064>. Acesso em: 15 dez 2021. 


NAZARIO, Luiz. O universo de Clara Crocodilo. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, [S. l.], n. 59, p. 413-418, 2014. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/89053>. Acesso em: 29 out. 2021.


PIRES, Pedro Giovanetti Cesar. Representações da modernidade brasileira na canção: o caso de Clara Crocodilo. 2019. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: <https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-06122019-170717/pt-br.php>. Acesso em: 29 out. 2021.


SILVEIRA JUNIOR, Walter Garcia da. “Clara Crocodilo” e “Nego Dito”: dois perigosos marginais?. Antíteses, [S.l.], v. 8, n. 15, p. 10-36, jul. 2015. ISSN 1984-3356. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2015v8n15p10>. Acesso em: 29 out. 2021.


WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: Uma outra história das músicas. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

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