O Tropicalismo de Caetano Veloso
Heloiza Cristina Gonçalves de Souza
Letras
(Habilitação: Português/Russo) 2º ano

Caetano Veloso
Fonte: Vermelho
Nascido em Santo Amaro, Bahia, em 07 de agosto de 1942, Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, quinto dentre os seis filhos de Zezinho Veloso e dona Canô, mais conhecido como Caetano Veloso, lançava em meados de 1967 seu primeiro álbum, que levava seu nome como título. A obra teve papel fundamental na construção do chamado movimento Tropicalista, que surgiu ao final da década de 1960, por iniciativa de compositores baianos que possuíam uma proximidade ao cenário musical carioca e universitário e que compartilhavam a insatisfação com a música que ascendia pós bossa-nova no Brasil.
![]() |
| Obra Tropicália de Helio Oiticica Fonte: UOL |
![]() |
| Caetano em sua apresentação no III Festival de Música Brasileira Fonte: Tribuna do Norte |
Alegria, alegria, com seus versos finais (...)
colocava da forma mais clara a disposição do rompimento com as expectativas
culturais e estilo de vida até então seguidos pelo autor, e que na verdade
coincidia com o de tantos outros jovens da classe média dos grandes centros,
desejosos de fugir pela via do individualismo, do descomprometimento político e
do escapismo hippie à falta de
perspectivas e mediocridade do momento histórico posterior ao movimento militar
de 1964: sem lenço (porque, desligado
do passado, não haveria lágrimas para secar), sem documento (uma vez que nada devia identificar o indivíduo com o
sistema), nada no bolso ou nas mãos (quer
dizer “sem livros e sem fuzil, ou sem responsabilidade ideológica ou política,
como indicava outro verso da mesma canção), eu
quero seguir vivendo/amor (ou seja, fugindo egoísta e hedonisticamente às
responsabilidades sociais que desde logo - ante tantos apelos à disponibilidade
total - explicava o último verso em forma de pergunta-sugestão: por que não? por que não? (TINHORÃO,
1986, p. 261).
![]() |
| Capa do álbum Caetano Veloso (1968) Fonte: A Escotilha |
Essa espécie de letra-colagem, algo nonsense (SEVERIANO,
2008: 384) como classifica o
historiador Jairo Severiano é traço
forte e há quem diga que o Tropicalismo de modo geral tinha um caráter muito
performático, televisivo, entre outras características, mas é fato que, mesmo
durando pouco mais de um ano, o movimento impactou o âmbito político e cultural
do país, tal como era o objetivo dos tropicalistas. Em Superbacana, por exemplo, Veloso
apresenta uma realidade de mundo que explode longe e muito longe o Sol responde, e que a moeda número um do Tio Patinhas não é minha (VELOSO, 1967), ou em Soy Loco por Ti America, canção que traz
referências ao Che Guevara, assim como a relação entre todo o álbum. É fato que
o álbum Caetano Veloso abriu passagem
para que outros tantos compositores e compositoras pudessem ousar, ao ponto de
permitir diversas maneiras de compreender e discutir sobre Tropicalismo.
Bibliografia:
SEVERIANO, Jairo. Uma
história da música popular brasileira - das origens à modernidade. São
Paulo, Brasil. Editora 34. 2017 (4ª Edição).
TINHORÃO, José Ramos. Pequena
história da música popular - da modinha ao tropicalismo. São Paulo, Brasil.
Art Editora. 1986 (5ª Edição).
TROPICÁLIA. Direção: Marcelo Machado. Produção: Brasil:
Bossa Nova Films. Barueri: Imagem Filmes, 2012.
UMA NOITE em 67. Direção: Renato Terra e Ricardo Calil.
Produção: VideoFilmes Produções Artística Ltda.
Record Entretenimento Rio de Janeiro: VideoFilmes
Produções Artística Ltda, 2010.



Comentários
Postar um comentário